Luiz César
Saraiva Feijó vem pesquisando a linguagem especial do futebol há
muitos anos. Seus primeiros trabalhos a respeito apareceram no jornal
O Diário de Notícias, do Rio de Janeiro (já fora de circulação há
alguns anos), entre 1963 e 1964. Publicou, em 1965, na Miscelânea
Filológica Em Honra À Memória do Professor Clóvis Monteiro, o seu
primeiro trabalho acadêmico, intitulado Aspectos da gíria no
futebol.
Apresentamos somente alguns
termos e expressões. Nos nossos livros sobre a linguagem do futebol há
mais de 500 outros termos explicados.
1- À BANGU
Locução adverbial de modo (à moda Bangu) ouvida nos comentários
esportivos em geral e, em particular, relacionada ao futebol. " Saída
à Bangu ". " Foi à Bangu ". Extrapolou as dimensões dos estádios de
futebol e caiu na linguagem do povo. Significa sem organização; de
modo desorganizado; sem regras; sem ordem. Talvez sua origem tenha
sido um tipo de partida-treino, peladas ou mesmo partidas sem
compromissos oficiais, disputadas pelos times das divisões inferiores
do Bangu Atlético Clube ou nos campos de várzea (Ver PELADA) ou praças
do bairro carioca de mesmo nome. Por ser a expressão à Bangu uma
locução adverbial de modo, ela deve ter surgido para sintetizar uma
expressão maior, como, por exemplo, "...vamos fazer isso como se faz
em Bangu"..., referindo-se a uma prática inocente de se jogar futebol,
existente nas peladas do subúrbio carioca do Rio de Janeiro. E'
importante assinalar que o Bangu Atlético Clube, então The Bangu, é um
dos mais antigos clubes de futebol do Rio, tendo as suas origens na
Companhia Progresso Industrial do Brasil, onde, no início da liga,
jogavam alguns negros, mesmo assim, somente se fossem operários da
fábrica têxtil daquele distante bairro carioca. Durante algum tempo,
os jogadores do Bangu Atlético Clube foram chamados de os mulatinhos
rosados pela imprensa dos anos 40, talvez pelo significativo número de
jogadores de origem negra e pela cor rosada de seu uniforme, em
listras verticais. Esta locução adverbial de modo, à Bangu tem ou pode
ter conotação pejorativa, identificando-se com outra expressão, à
galega. A locução adverbial à Bangu é uma criativa expressão
idiomática neológica, porque é utilizada pelo povo, fora do contexto
esportivo, portanto, como gíria, que guarda o seu primitivo sentido de
desorganização. Isso se deu pelo inegável prestígio do futebol.
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