FIRULAS & PANTOMIMAS
Luiz
Cesar Saraiva Feijó
Vamos
acabar com essa idéia de que futebol é somente profissão. Ele é, também,
jogo e prazer lúdico. No boxe, os adversários se entreolham e se encaram com
fisionomias de verdadeiros monstros. No rinque, muitas vezes o lutador, que
está melhor preparado, saltita e dança à frente do adversário. Brinca de
pular corda e se autoproclama vencedor. Por que, no futebol, o jogador da
equipe que está vencendo, tem que se comportar de modo integrado, como se
houvesse uma norma regimental para policiar o seu comportamento ? Só há
comportamentos desviantes quando normas de conduta preestabelecidas são
transgredidas. Por que o jogador não pode fazer malabarismos com a bola ?
Dizem que é falta de respeito ao adversário. Não será uma expressão lúdica
de alegria, de prazer, encontrada em outras formas esportivas, como no boxe
e no basquete ? Depois ouvimos os comentários dos jogadores que se sentem
ofendidos, dizendo que "não somos palhaços", "que somos
profissionais" "que merecemos respeito" e outras coisas ligadas à
visão do futebol como profissão.
Aliás,
está acabando a alegria no futebol. Tanto dentro de campo como fora dele.
Podem-se citar, como exemplos, as transmissões, por rádio e televisão, que
são enfadonhas, redundantes, denotativas, cansativas, portanto. A televisão
é um desastre. Suas transmissões de partidas de futebol são totalmente
desprovidas de criatividade e emoção. Tudo está integrado e deve ser visto e
entendido como um modelo de descrição, que deve ser seguido pela sociedade.
Um modelo de descrição até para as provas de vestibular às nossas
universidades... O rádio percebeu, pode ser que por intuição, ou por estudo
encomendado, que deveria mudar. A rádio CBN inovou e agradou. Encontrou uma
forma nova de mixagem esportiva, dando uma visão "gestaltica", isto é, de
conjunto, ao espetáculo futebolístico.
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